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Será que estamos prontos para ter esta conversa? 

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18.08.2025

Há poucas palavras que causem tanta urticária coletiva como “impostos”. É pronunciá-la e assistir, em segundos, a uma crise existencial: “Pagamos demais!”, “O Estado rouba-nos!”, “E depois é só tachos!”. Há algo de maquiavélico neste desabafo nacional. E compreendo. Mas também há algo de profundamente ingénuo. Porque, sejamos francos, se há coisa que verdadeiramente nos une enquanto sociedade – para além do amor ao café e do ódio ao VAR – é o esquecimento conveniente de que, desde que nascemos, estamos rodeados de coisas pagas com… impostos.

O debate sobre a carga fiscal está, mais uma vez, na ordem do dia. Afinal, é mais fácil culpar o IRS pelo saldo bancário do que refletir sobre como tornarmos o Estado mais eficiente.

Sim, lamento estragar o mito do self-made citizen, mas o parto no hospital público, as vacinas no centro de saúde, os manuais gratuitos, a estrada que nos levou à escola e até a professora que nos ensinou que Camões não é uma app, tudo isso foi pago com os impostos de todos. E, repito, de todos. Não foi com magia. Tudo isto existe porque há impostos.

No entanto, a forma como hoje se fala de fiscalidade em Portugal parece retirada de um sketch: “Os impostos deviam baixar já! Urgentemente!........

© Observador