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O desaparecimento dos Pirilampos

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31.07.2026

A 1 de fevereiro de 1975, Pier Paolo Pasolini publicava um artigo no Corriere della Sera intitulado “O vazio do poder em Itália”. Nele, Pasolini afirmava que, no início dos anos sessenta, por causa da poluição do ar e sobretudo da água, os pirilampos começaram a desaparecer do campo italiano. No texto do multifacetado artista italiano, o pequeno inseto luminoso era a chave interpretativa de todo um mundo que se eclipsara. A nova sociedade de consumo, trazida pelo boom económico, provocara uma verdadeira mutação antropológica, um “genocídio” das culturas populares e uma homogeneização hedonista. Pasolini chegava mesmo a concluir que o consumismo era o “verdadeiro fascismo”, ainda mais totalitário por penetrar os corpos, os gestos e os desejos.

Anos mais tarde, numa viagem por Itália, e vendo pirilampos onde antes Pasolini havia negado a sua existência, o francês Didi-Huberman acusa-o de ter cometido, no seu desespero final, uma confusão. Ofuscado pela luz “feroz, fixa e ofuscante dos holofotes”, Pasolini teria perdido a capacidade de captar a luz “pequena, humilde, intermitente e móvel dos pirilampos”. Os pirilampos não se tinham extinguido. Era Pasolini que, a partir desse seu próprio........

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