Um país de papel
A passagem da tempestade Kristin por Portugal não foi apenas um fenómeno climatérico extremo. Foi uma prova de fogo para o Estado. Um teste que, do ponto de vista da resposta política e administrativa, Portugal falhou. E quando a natureza deixou de ser o elemento surpresa, ficou claro que o principal problema não estava apenas no vento ou na chuva: estava na gestão governamental da crise.
Kristin não foi apenas um episódio meteorológico intenso. Foi destruição concreta e visível. Casas ficaram sem telhados. Estradas abriram fendas e desabaram. Encostas deslizaram sobre habitações. Muros cederam. Infraestruturas ruíram como se o tempo tivesse parado décadas. Famílias ficaram isoladas, sem eletricidade, sem acesso, sem respostas imediatas. Tudo isto aconteceu neste país que gosta de se apresentar como moderno e resiliente.
A ministra da Administração Interna falhou onde não podia falhar. Falhou na cadeia de comando, quando ficou claro que não havia uma linha clara de decisão entre Proteção Civil, forças de segurança e autarquias. Falhou na articulação operacional, com meios no terreno a agir sem informação consistente, respostas desiguais entre regiões e atrasos na resolução de ocorrências críticas. Falhou na antecipação, porque fenómenos com este grau de risco não se gerem no próprio dia, gerem-se semanas antes, com planos testados e responsabilidades atribuídas. Mas o falhanço mais grave foi político. Questionada sobre o que correu mal, a ministra admitiu publicamente não saber. Não se trata de........
