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Os reaccionários chocam contra a realidade

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17.06.2026

Um espectro assola o Ocidente – o espectro do reaccionarismo. Em todo o Ocidente, uma bela parte dos reaccionários estão convencidos de que assistem ao funeral de uma época. Segundo estes reaccionários, que têm, naturalmente, os seus apóstolos e beatos em Portugal, o liberalismo morreu, a globalização foi uma ilusão, o livre comércio um erro que a história agora corrige, e a única resposta séria à ascensão da China passa por fechar mercados, erguer tarifas e repatriar os empregos que, juram-nos, hão-de redimir os perdedores da globalização. Tudo isto anunciado com a placidez de quem deslindou as leis da história. Ora, essa pose já a conhecemos, ainda que invertida: há trinta anos, foi o liberalismo triunfante a proclamar, com idêntica certeza beatífica, que a democracia de mercado era o derradeiro estádio da história. Errou redondamente. Os reaccionários de hoje que lhe celebram as exéquias herdam-lhe o pecado intacto: tomar a conjuntura por lei natural e fundar a economia inteira sobre a presunção de ter lido o futuro.

O ano de 2016 foi a charneira desta visão do mundo. O Brexit primeiro, a eleição de Trump meses depois, deram alento a uma direita que prometia o ressurgimento da nação: não o Estado administrativo, mas a comunidade de destino, o corpo político soldado por referências comuns, feito de uma língua, de uma história, de uma tradição religiosa partilhada, de uma memória que precede e transcende o indivíduo. A essa pátria reencontrada opunha-se o inimigo de sempre, o “cidadão de lado nenhum”: o cosmopolita que atravessa fronteiras sem as........

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