Senhoras conservadoras
Risinhos, risinhos. Ai que tolas, que parolas, são tão burras, tão caturras, que horror, que horror, o mulherio conservador. Pior que desumanas, ainda por cima suburbanas, religiosas e pirosas, que gozo.
Foram mais ou menos assim as reacções menos tontas à notícia de que uma grupeta de mulheres se tinha juntado para mais uma destas inutilidades gregárias em que dez mulheres organizam um almoço e, no telefone estragado que vai da mesa a uma redacção, a coisa fica transformada em movimento.
Estas foram as menos tontas, porque pelo menos não tentaram ser sérias; foram más, mas é sempre possível piorar. Quando a notícia chegou ao crânio desocupado de filósofos mais prolixos, a coisa tornou-se ainda pior.
E, como é Verão e a estrada mediática está desocupada, a notícia chegou a vários tipos de pensadores loquazes. Chegou aos autoproclamados herdeiros do progressismo fundador, que não sofreram um segundo que fosse em nome das ideias que têm, que não experimentaram uma única inconveniência política, mas ainda assim falam como mandatários da resistência ao obscurantismo, para dizer sempre a mesma coisa: ainda bem que se reúnem (reparem na bonomia, na tolerância, na largueza – nome que também se dá à gordura – de espírito) em nome dessas ideias retrógradas, são livres (obrigado, obrigado), de o fazer; mas notem (aqui é que nos apanham, os malditos) que só o podem fazer porque houve outros, com ideias contrárias às vossas (e iguais às dos filósofos-herdeiros, entenda-se) que o tornaram possível. E assim apanham toda a gente na contradição e mostram, sem precisar de dizer, que na verdade as ignorantes conservadoras não deviam defender nada do que defendem.
Como se estes “direitos universais” que devem a sua pretensa superioridade moral precisamente ao facto de permitirem a cada um ter as suas ideias fossem, na verdade, condicionais; como se não fosse condição prévia de qualquer ideia ter havido ideias anteriores que tornam possível o seu contrário; era possível o iluminismo anti-clerical se os padres não se tivessem batido pela instrução da burguesia? Era possível o marxismo sem capitalismo? Era possível, como diz o Hugo Dantas, ser contra o aborto estando vivo? A gratidão........
