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Presidentes em tempos de crise

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O ano mal começou e começou mal. Em poucos dias acumulam-se crises violentas. A violência, a guerra pode ser um mal menor, poder ser um mal necessário para derrubar ditaduras ou combater agressores, mas nunca é um bem maior. Nada de surpreendente: a transição de poder, a ascensão de novas potências a mudança de regimes leva sempre a mais conflitos. Muito disso será inevitável, mas temos também o facto inédito do líder dos EUA, a grande potência dominante, que está a optar por destruir deliberadamente a ordem internacional que o seu país ajudou a construir e liderar desde 1945. Não era perfeita, mas nunca tivemos tanta liberdade e prosperidade no Mundo. A última coisa que Portugal precisa neste momento é escolher um presidente que seja um fator adicional de incerteza, de caos. Hoje ficamos por duas destas crises antes de irmos ao presidente.

Continua a saga da Gronelândia. Transformar aliados em inimigos sem qualquer necessidade não é Realismo diplomático, é estupidez. Vários congressistas Republicanos, inclusive o anterior líder do partido no Senado, sentiram-se obrigados a dizer isto mesmo. O delírio trumpista é tal que está em cima da mesa uma proposta de lei para o Congresso decretar que o Presidente dos EUA não pode invadir países aliados da NATO. Admito que haja quem goste destas iniciativas de Trump. Vivemos, por enquanto, numa Europa livre. Mas isto não é normal, nem Realpolitik.

O que vale a pena acrescentar a este respeito? Apesar de ter um rei constitucional, quem manda na Dinamarca e na Gronelândia é o povo, não precisam ser libertadas. É verdade que a Gronelândia é relevante do ponto de vista geoestratégico e é verdade que os EUA têm lá uma base militar – Space Base Thule/Pituffik. Como o nome indica é parte do seu comando espacial, tem uns 150 militares e a sua principal missão é detetar mísseis que possam ameaçar os EUA. É verdade que a sua existência pode ter algum efeito dissuasor, mas, bem ou mal, a defesa naval, aérea e terrestre da Gronelândia tem sido feita pela Dinamarca. É prudente reforçar essa defesa em tempos mais conflituosos, e, por isso, Copenhaga anunciou um investimento adicional de mais de 4000 milhões euros na sua defesa ártica, e não vai tudo para trenós........

© Observador