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Mercosul: a última pá de terra sobre o campo português

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26.10.2026

Há quarenta anos, Portugal entrou na Comunidade Económica Europeia com a convicção de quem chega a um porto seguro. Prometeram-nos modernização, convergência, prosperidade. Ao campo português prometeu-se sobretudo uma coisa: que não seria deixado para trás. Quatro décadas depois, quem atravessa o interior do país encontra outra paisagem: aldeias silenciosas, socalcos abandonados, pomares entregues às silvas e uma geração de agricultores cuja idade média denuncia a ausência de quem lhes suceda. O acordo entre a União Europeia e o Mercosul, assinado em Assunção em janeiro e já em aplicação provisória, não abre um capítulo novo nesta história. Ameaça escrever-lhe o epílogo.

Convém recordar o caminho até aqui. A Política Agrícola Comum foi desenhada à medida das grandes planícies francesas e alemãs, não das pequenas explorações minifundiárias do Minho, das Beiras ou de Trás-os-Montes. Durante anos, Bruxelas pagou para que se arrancassem vinhas, se abatessem barcos e se reduzissem quotas leiteiras, e Portugal aceitou com a docilidade de quem troca a enxada pelo subsídio. Desmantelou-se capacidade produtiva em nome de uma racionalidade........

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