Governança algorítmica e limites ético-políticos
No quadro da grande transformação digital em curso há um aspeto que é muito perturbador e que coloca em rota de colisão a governação da coisa pública (governing) e a governança da sociedade algorítmica (governance). Na linha da desintermediação institucional em curso, o discurso emergente diz-nos que o governo é uma indústria ineficaz, as instituições em geral são caras e preguiçosas e a democracia é cada vez mais desajeitada para lidar com a governança algorítmica. Quer dizer, teremos de encontrar rapidamente um novo modo de pensar, de estar e fazer a política, sob pena de sermos reduzidos a uns idiotas úteis da governança algorítmica!!
A grande transformação em curso será, então, a conversão da “indivisibilidade de um serviço público, coletivo ou social na divisibilidade de um objeto privado” produzido pelo mercado e tornado possível pelo avanço tecnológico. Os serviços públicos prestados pelo Estado e outras coletividades e cobertos por via do imposto e taxas seriam, então, progressivamente substituídos por objetos privados prestados por empresas por via de um preço, regulado ou não. Neste alinhamento, o Estado seria progressivamente reduzido à sua dimensão mínima, um Estado-regulador de prestações em regime de outsourcing. Necessidades individuais, desejos pessoais e serviços públicos serão transformados em objetos de consumo industrial que, doravante, ficam ao alcance e ao dispor da internet das coisas, da conexão generalizada e da indústria de serviços personalizados. Perante esta tendencial colisão entre governação pública e governança privada, vejamos alguns aspetos nucleares do problema em questão.
Esta interface está em curso, não apenas pela digitalização dos serviços públicos e coletivos, mas, sobretudo, pela multiplicação de novas interfaces tecnológicas entre o serviço e o cliente, no sentido da sua progressiva personalização. O próprio Estado-administração repensará todo o seu front office criando, para o efeito, uma intermediação muito mais inteligente e diligente. Muitos dos serviços públicos serão tratados em inovadoras caixas multisserviços à imagem e semelhança das caixas multibanco; trata-se, de resto, de alargar os serviços já prestados, desta vez, segundo um conceito muito mais amplo de internet das coisas. A personalização do serviço caminhará a par com a personalização do cliente. As próprias câmaras municipais caminharão para uma espécie de loja do cidadão com muito maior interatividade tecnológica e digital.
Por via da comunicação virtual todo o nosso........

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