Contraditório do artigo “A pressa de privatizarmos o SNS..."
A advogada Ana Inês Patrício escreveu um artigo no Expresso online, “A pressa de privatizarmos o SNS e o risco de repetirmos erros alheios” com considerações que partem de pressupostos errados e por isso com conclusões erradas.
Escreve a autora: “O SNS português – apesar de subfinanciado – tem resultados consistentes e acima da média europeia em mortalidade evitável, cobertura vacinal e cuidados de proximidade” .
E tem razão. Mais, Portugal também fica bem na fotografia da OCDE dos internamentos evitáveis.
Mas a explicação não é aquela que ela dá. A razão do sucesso deve-se a uma aposta de cinquenta anos nos cuidados de saúde primários que se estendeu a todo o país com o serviço médico à periferia e que foi evoluindo até à generalização das USFs de Modelo B como foi explicado aqui.
Mal ficam os 15% (1,5 milhões) de utentes sem Médico de Família.
É o facto de o SNS assentar numa rede universal de cuidados de saúde primários de acesso gratuito, pago pelo Estado, que permitiu aqueles resultados. Não é o facto de os prestadores serem públicos ou privados como pressupõe a autora.
A minha perceção, que é de alguém com experiência no setor privado e convencionado e que foi pioneiro da reforma dos cuidados de saúde primários, tendo criado e coordenado uma das 19 experiências de Unidades de Saúde Familiar em regime Remuneratório Experimental, a única em Lisboa, de cuja avaliação comparativa resultou a Reforma dos Cuidados de Saúde Primários de 2006, é de que se em vez de se ter evoluído para USFs de Modelo B tivéssemos evoluído para USFs de Modelo C, Unidades de Saúde Familiar dos profissionais com convenção/contratualização com o SNS, é que ainda estaríamos melhor.
Aliás, se formos para os cuidados de saúde secundários veremos que o quadro é bem diferente.
Escreve a Ana Inês Patrício:
“Portugal atravessa uma mudança silenciosa, mas decisiva, no Serviço Nacional de Saúde … São passos que........© Observador





















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