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Já perceberam o que é o Chega?

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10.05.2026

Não dou para o peditório do Chega ser de extrema-direita. Tão assim é que votei em branco nas presidenciais porque me recuso votar num socialista de esquerda por ter medo de um socialista de direita. Desde que fundou o Chega, André Ventura conseguiu parecer ser duas coisas que não é: fascista e reformista. Para aparentar ser o que não é, Ventura enganou dois tipos de eleitorado: o zangado e o da antiga direita. Digo antiga porque a direita mudou, como está à vista de todos. Já não é a direita dos mercados abertos, do livre comércio, mas do estatismo e do proteccionismo. Deixou de ser globalista e tornou-se nacionalista com o estado a ter um papel central na vida das pessoas. De certa forma regressámos à distinção vigente no último quartel do século XIX em que a esquerda era progressista e favorecia o comércio livre enquanto a direita era conservadora e proteccionista.

Ventura alimentou-se de um histerismo à sua volta de quem vê nele um Salazar ressuscitado. Um novo fascista. Ora, nem Salazar foi fascista nem Ventura é um novo Salazar. Onde Ventura é verboso, Salazar era conciso. Onde Salazar era discreto, Ventura é aparatoso. Ventura diz que são precisos três Salazares para pôr o país na ordem, mas bastava um (o verdadeiro) para o mandar calar, logo ele que não suportava gente estridente.

A diabolização de Ventura atingiu proporções absurdas nas presidenciais com pessoas inteligentes a não serem capazes de ler no meio da névoa que André Ventura e António Costa criaram para dividir a direita. A verdade é que o Chega não tem sequer estrutura de pensamento para ser um partido que  defenda reformas, menos ainda para ser de........

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