Num mundo fragmentado, Portugal escolhe cooperar!
O mundo mudou — e a cooperação internacional tem de mudar com ele. Crises climáticas, económicas, alimentares e geopolíticas sobrepõem-se, enquanto a transição digital e a inteligência artificial redesenham economias, sociedades e relações de poder. As desigualdades persistem, agravadas pelo peso da dívida, pela redução da ajuda pública ao desenvolvimento e por uma recuperação pós-pandemia profundamente desigual. Perante esta realidade, cooperar não pode significar apenas gerir a escassez ou repetir fórmulas do passado: tem de ser uma escolha política para construir respostas com os países, e não apenas para os países.
É esta a visão de Portugal: uma cooperação assente no multilateralismo, na solidariedade e na responsabilidade partilhada. A relação tradicional entre doador e beneficiário já não descreve o mundo atual. Muitos países do Sul Plural são hoje polos de inovação, conhecimento e políticas públicas com valor muito para além das suas fronteiras. A cooperação Sul-Sul parte exatamente desse reconhecimento: países com desafios e experiências comparáveis partilham soluções testadas em áreas cruciais como a saúde, a educação, a agricultura sustentável, a ação climática ou a transformação digital. A cooperação triangular acrescenta a este binómio um terceiro parceiro — um Estado, uma organização internacional, a academia, a sociedade civil ou o setor privado — capaz de mobilizar recursos, competências e redes de financiamento.
Não se trata de substituir a cooperação Norte-Sul, mas de a tornar mais horizontal, inclusiva e eficaz. O valor político desta abordagem reside em reunir atores diversos em........
