A 1002.ª noite
Um big mac e um kabab em como Donald Trump nunca viu um filme iraniano. Mesmo assim, é claro, sabe certamente que são uma porcaria, sem comparação com o estrondoso, o maravilhoso, o grandioso, melhor do que nunca, cinema americano (à parte quando o critica – aí, é uma parolice de vencidos).
Perdoe a pobreza da parábola, mas, ainda assim, repare como toca várias notas certas: sim, o cinema americano é bom; não, Trump não tem qualquer mérito nisso; sim, Trump serve-se constantemente do que não fez para ter o que quer; sim, consegue fazer um apaixonado pela América ficar farto da América; e não, nada disto diz o que quer que seja acerca do cinema iraniano. De quão belo e inventivo é, de como pode e deve coexistir com o americano e não se compara com ele. De como tantas cinematografias diferentes podem coabitar e seria paupérrimo o mundo se não houvesse senão filmes de super-heróis e pipocas.
Nunca fui ao Irão. Mas, como muita gente que só conhece a América pelo seu cinema, também eu julgo saber alguma coisa do Irão pelo dele. O cinema do perseguido – e mediático – Jafar Panahi, e já também do filho, Panah Panahi, de Asghar Farhadi, de Bahman Ghodabi, do vigoroso Saeed Roustayi, de Marjane Satrapi (cuja arte e influência se estende muito para além do cinema), e, acima de tudo, de Abbas Kiarostami, a propósito de quem o insuspeito de humildade Jean-Luc Godard disse um dia: “O cinema começa em Griffith e acaba em Kiarostami”.
Assim. “Começou”, tal como o........
