Sexo e dinheiro: o que a sua libido tem a ver com a sua liberdade
Talvez o título desta coluna tenha te deixado intrigada. E talvez seja até a primeira vez que você esteja lendo a minha coluna por causa dele. Sexo e dinheiro, à primeira vista, parecem assuntos distantes, como se cada um morasse em um cômodo diferente da vida. Mas não moram. Sexo e dinheiro têm muito mais em comum do que a maioria das pessoas imagina. E não, eu não estou falando da forma rasa, moralista ou apressada com que esse tema costuma ser tratado. Estou falando de energia. Estou falando do que essas duas forças representam na nossa psique, no nosso corpo e na maneira como nos sentimos vivas no mundo.
Dinheiro, antes de ser luxo, é energia de sobrevivência. É ele que garante casa, comida, deslocamento, escolha, dignidade e uma sensação mínima de segurança para existir. E quando uma pessoa está aprisionada no medo da falta, o corpo entende uma mensagem muito clara: agora não é hora de relaxar, é hora de sobreviver. Um corpo em estado de escassez dificilmente consegue se abrir com facilidade para o prazer. Ele fica mais atento, mais rígido, mais ocupado tentando dar conta do básico. É como se a vida interna entrasse em modo de contenção. E, quando isso acontece, o desejo muitas vezes não desaparece por falta de amor, mas por excesso de preocupação.
É por isso que tantas mulheres, quando estão esmagadas pelo cansaço, pela sobrecarga e pela insegurança financeira, não conseguem acessar libido, presença e entrega com a mesma fluidez. Não porque haja algo errado com elas, mas porque o corpo está focado em manter tudo de pé. Está focado no trabalho, na conta que vence, na responsabilidade, no medo do amanhã. E eu não estou generalizando todas as mulheres, porque existem, sim, aquelas que em momentos de escassez acabam recorrendo ainda mais ao sexo, às vezes como tentativa de alívio, validação, vínculo ou fuga. Mas a pergunta que me atravessa é outra: isso é prazer de verdade? Isso é presença? Isso é gozo? Ou o corpo até participa, enquanto a........
