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2026 - Um ano orgástico

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02.01.2026

Deixa eu te contar… 
todo início de ano cria um tipo especial de silêncio. Um espaço interno que pede revisão, escolha e intenção. Antes das metas, antes das promessas, antes das listas intermináveis, existe uma pergunta mais profunda que raramente nos fazemos: como eu quero me sentir vivendo a minha própria vida este ano? 

Essa coluna abre 2026 com esse convite, dirigido a homens e mulheres, porque prazer, vitalidade e sentido não pertencem a um gênero. Pertencem ao humano. 

Durante muito tempo aprendemos a separar aquilo que nunca esteve realmente separado. Prazer de um lado, vida do outro. Corpo aqui, mente ali. Intimidade restrita a momentos específicos, enquanto o restante da existência segue no modo automático. O corpo, porém, nunca concordou com essa divisão. Ele sente quando a vida perde sabor. Ele sente quando o prazer se torna raro, mecânico ou inexistente. E quase sempre, quando o prazer íntimo desaparece, algo também se apaga no prazer de viver. 

Essa percepção atravessa a história do pensamento humano. Platão escreveu O Banquete, um livro dedicado a refletir sobre o amor, o desejo e o prazer. Nele, o prazer não é tratado como algo menor ou perigoso, mas como um ponto de partida. O desejo nasce no corpo e pode se expandir para a alma, para o pensamento, para a vida. Platão falava dos prazeres que aprisionam e dos prazeres que libertam. Não por moralismo, mas por consciência. O prazer vivido sem presença tende a esvaziar. O prazer vivido com consciência tende a ampliar.

Séculos depois, Freud trouxe essa conversa para o campo da psicanálise e nomeou essa força de libido. Para ele, a libido não é apenas energia sexual, mas energia vital. É o que........

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