O atletismo e o desafio de conquistar jovens
Voltar à escola é sempre regressar ao ponto de partida, recordar com nostalgia os meus tempos de outrora, em que tive de abandonar cedo demais... outros tempos! Estive há dias numa visita à Escola Luís de Freitas Branco, em Paço de Arcos, onde dirigi uma sessão aos alunos do Curso Profissional de Técnico de Apoio à Gestão Desportiva. Altura para falar de memórias, de inspiração e, sobretudo, de responsabilidade. Fui partilhar um pouco do meu percurso, mas saí de lá a refletir ainda mais sobre o futuro do atletismo.
A escola apresenta condições de excelência. Uma pista bem cuidada, espaço adequado, enquadramento educativo sólido. Tudo aquilo que, à partida, deveria ser terreno fértil para incentivar o surgimento de jovens atletas. E, no entanto, a realidade mostra-nos que muitos alunos optam por outras escolhas, seguem outros caminhos. O atletismo, apesar de presente e incentivado nas aulas de Educação Física, continua em plano secundário nas preferências. Não é caso isolado. É, em muitos aspetos, o reflexo de um tempo diferente. Hoje, os jovens vivem rodeados de estímulos e alternativas: redes sociais, videojogos, conteúdos digitais constantes, outras modalidades mais mediáticas e apelativas e não estou a falar apenas do futebol. O atletismo, pela sua exigência, pela sua natureza muitas vezes solitária e pela ausência de resultados imediatos, perde terreno. E perde cedo.É preciso, por isso, criar incentivos reais à prática, ambientes motivadores e, sobretudo, continuar a dar exemplos que inspirem. Sem isso, continuaremos a ter excelentes condições... mas nem sempre acompanhadas pela adesão desejada.
Depois da visita à escola, reuni-me com o Município de Oeiras e ficou clara a vontade de investir e avançar juntamente com a FPA em provas de atletismo, meetings, ações dirigidas aos jovens. Um sinal positivo para ajudar os jovens a não desistirem do atletismo e que tem de ser repetido país fora.Só assim conseguiremos resultados como os registados no Campeonato Nacional de Milha em estrada, que foi disputado em Eiras. Esta foi mais uma prova onde o talento, a entrega e a emoção estiveram bem representados. Prova de que a modalidade continua viva e atletas como João Azevedo ou Beatriz Fernandes não tiveram dúvidas em escolher o caminho, serem resilientes, mesmo quando, tantas vezes, se calhar, outras opções teriam sido mais fáceis.
P.S.: Uma palavra para o Etson Barros, atleta internacional português, que sofreu recentemente um acidente de viação e se encontra hospitalizado. Desejo-lhe, em nome de toda a família do atletismo, rápidas melhoras. Esta é apenas mais uma prova que ele vai vencer.
