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A Natureza não espera – e a transição energética também não

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06.05.2026

Vivemos num momento de paradoxo civilizacional. A crise climática — nas secas prolongadas, nos incêndios que consomem os nossos solos, nas temperaturas que batem recordes ano após ano — exige uma resposta urgente e em escala. Essa resposta passa, inevitavelmente, pela aceleração das energias renováveis. E essa aceleração tem custos. Tê-los-á sempre. A questão que devemos colocar, com rigor, não é se existem impactes, mas se os impactes de agir são menores do que os de não agir.

A biodiversidade está no centro desta equação. E é precisamente por isso que não podemos tratá-la como uma formalidade de licenciamento, nem reduzi-la a um argumento de comunicação. A biodiversidade é a fundação silenciosa sobre a qual assenta toda a vida — incluindo a nossa.

Em Portugal, temos uma biodiversidade extraordinária. O Alentejo, aparentemente árido, é um dos territórios com maior riqueza em aves de rapina e em morcegos da Península Ibérica. O Tartaranhão-caçador, cujas populações nacionais caíram 80% na última década, reproduz-se nos campos de cereal desta região. O........

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