A América em fogo-de-artifício
Há qualquer coisa de profundamente americana em celebrar uma crise com fogo-de-artifício. O céu arde, a multidão grita, a banda toca, as bandeiras multiplicam-se e, por momentos, parece possível esquecer que por baixo daquele espectáculo continua a existir um país partido ao meio.
Foi assim que Donald Trump falou no 4 de Julho dos 250 anos dos Estados Unidos. Não fez apenas um discurso. Encarnou uma ideia de América
A América dos Pais Fundadores nasceu de uma rebelião contra um rei. A América de Lincoln sobreviveu a uma guerra civil. A América de Roosevelt venceu a Grande Depressão e depois ajudou a derrotar o nazismo. A América de Kennedy prometeu a Lua. A América de Reagan vendeu ao mundo a imagem da cidade luminosa sobre a colina. A América de Trump, pelo contrário, já não promete tanto o futuro. Promete antes a recuperação de um passado.
Essa é a chave do discurso.
Trump apresentou os Estados Unidos como uma nação destinada à grandeza, traída por inimigos internos, ameaçada por ideologias estrangeiras e agora chamada a uma nova idade de ouro. É uma narrativa simples, quase bíblica: queda, humilhação, redenção. E funciona........
