O caos com método
Há, desde 2025, uma tendência cómoda na leitura ocidental do segundo mandato de Donald Trump: tratá-lo como uma anomalia, um desvio de rumo, uma espécie de parêntesis de irracionalidade num sistema que, passado o momento, regressaria às suas regras habituais. É uma leitura tranquilizadora. Mas é insuficiente.
O que se observa não é apenas perturbação. É aceleração. E a diferença importa. Uma anomalia interrompe; um acelerador altera a trajectória. A primeira suspende o curso e permite imaginar o regresso ao ponto anterior. O segundo muda o ponto de chegada de tal forma que o ponto de partida deixa de ser recuperável. A pergunta relevante não é, portanto, quando termina Trump. É o que sobra depois dele, e se esse saldo serve, ou não, os interesses estratégicos americanos a longo prazo.
Convém começar por aqui: Trump........
