A ordem que vem a seguir
As cinco colunas anteriores descreveram um método que coage, compra, contorna e dissimula. Falta a pergunta que decide tudo: pode durar? A resposta não está nos exércitos nem nos mercados, mas num recurso invisível que todas estas operações consomem e nenhuma repõe. Chama-se confiança, é finita, e é a matéria-prima oculta da reorganização, tanto quanto a sua hipoteca.
Gasta-se depressa e reconstrói-se devagar. Aliados coagidos e rivais enganados guardam memória, e os parceiros rebaixados a vassalos guardam-na ainda mais funda; e a memória não se apaga por decreto. A ordem que os Estados Unidos edificam consome essa reserva a cada gesto: cada ameaça, cada garantia que só vale enquanto convém, é um levantamento sobre uma conta que ninguém volta a alimentar. O método é deslumbrante no imediato e ruinoso no prazo, porque converte oitenta anos de capital de aliança numa sucessão de vitórias avulsas.
Dir-me-ão que a confiança regressa, que a história tem marés. E é verdade. A Hungria, há um ano perdida na órbita iliberal, repõe hoje alianças que se davam por mortas, e quem aposta contra a recuperabilidade da confiança aposta contra o pêndulo da política. Concedo o argumento, mas ele apenas fixa a escala do problema: a confiança volta na geração seguinte, não no mandato seguinte. E é dentro do........
