Do trilema ao quadrilema: a autonomia monetária europeia em questão
A recente divergência entre o Banco Central Europeu e a Reserva Federal norte‑americana – com o primeiro a subir as taxas de juro e o segundo a optar pela sua manutenção – oferece um ponto de partida particularmente interessante para refletir sobre os limites da política económica em contexto de economia global. Num quadro de crescimento débil na Europa e relativo dinamismo nos EUA – bem refletido nas projeções económicas que serviram de base às decisões – esta divergência significa mais do que diferenças conjunturais: revela a arquitetura assimétrica do sistema monetário internacional atual.
No quadro clássico do modelo de Mundell‑Fleming (anos 1960), esta divergência não seria um problema. O chamado trilema estabelece que, com taxas de câmbio flexíveis e mobilidade de capitais, é possível preservar a autonomia monetária: decisões divergentes são acomodadas naturalmente, com a modificação da taxa........
