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O nosso chão comum

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26.04.2026

Ontem foi dia de celebrar a liberdade conquistada há 52 anos, depois de uma longa noite de ditadura, violência, ignorância e pobreza generalizada. Ouviram-se, como agora é habitual, as vozes da dissonância arrogante, dos que não gostam desta democracia nem dos capitães de Abril, dos que suspiram com, não um, mas três Salazares. Eles não sabem, porque cultivam uma sociedade baseada na ignorância e não leem livros de História, mas, mais tarde ou mais cedo, não serão mais do que uma nota de rodapé, como tantos ferrabrases antes deles.

António José Seguro fez, de novo, um notável discurso, que vale a pena ler na íntegra. Foi o seu primeiro nas comemorações oficiais do 25 de Abril. Um discurso na verdade fundado no lema que nos trouxe a Revolução Francesa de 1789 e que tanto tempo tardou aqui a chegar: liberdade, igualdade, fraternidade. O presidente explicou que a liberdade "é tão natural como a nossa vida", mas que essa liberdade só tem sentido se a associarmos a democracia, justiça social e igualdade. "São os elos que dão coesão à nossa sociedade, como se fossem uma segunda Terra Mãe, o nosso chão comum".

Dito de outra forma, "liberdade é a dignidade de cada pessoa reconhecida e protegida". Ou seja, não há verdadeira liberdade se há pobreza. "A pobreza limita escolhas, condiciona oportunidades e, muitas vezes, silencia vozes". Seguro sabe, como sabemos todos, que há demasiada pobreza em Portugal, 52 anos depois desse "dia inicial inteiro e limpo". Como sabe que, apesar do progresso e da melhoria das condições de vida, a desigualdade não só não se esbate, como se fortalece.

O presidente citou de raspão o artigo 1.° da Declaração Universal dos Direitos Humanos, aliás inspirado no lema da Revolução Francesa. Deixo-o aqui, com o alerta de que, sem a primeira palavra, nada do que se segue faria sentido: "Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir uns para os outros em espírito de fraternidade". Para os que cultivam uma sociedade baseada na ignorância, repito a primeira palavra: "Todos".


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