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Cristo é Senhor: a igreja e o chamado à fidelidade pública

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03.09.2026

Vivemos em uma época na qual cosmovisões competem abertamente pela formação das instituições, da imaginação moral e das leis de uma nação. Não se trata de uma disputa meramente partidária. Trata-se de uma disputa sobre quem define o bem, o verdadeiro e o belo; sobre quem estabelece os limites do poder humano; e sobre qual narrativa dará sentido à existência coletiva. Nesse cenário, a indiferença cristã não é neutralidade. É capitulação.

Projetos de sociedade e a ausência cristã

Diversas correntes religiosas, ideológicas e culturais possuem projetos claros e abrangentes para a sociedade. O islã, especialmente em suas vertentes políticas, não se apresenta como uma religião meramente privada. Historicamente, a tradição islâmica desenvolveu uma visão abrangente da vida, na qual a sharia regula não apenas a devoção individual, mas também aspectos da família, da economia, da política e do direito. A ummah é concebida como uma comunidade que ultrapassa fronteiras nacionais. Embora haja enorme diversidade entre sociedades e correntes muçulmanas, movimentos islamistas contemporâneos continuam a defender, em graus e por meios distintos, uma presença pública e política do islã.

O marxismo, por sua vez, oferece outro projeto abrangente. Em sua forma clássica, interpretou a história a partir da luta de classes e propôs a superação revolucionária da ordem burguesa e da propriedade privada dos meios de produção. Correntes posteriores, marxistas e pós-marxistas, ampliaram a crítica para questões culturais, identitárias e institucionais. Família, religião, nação, propriedade e moral tradicional passaram a ser interpretadas, em diferentes graus, como estruturas relacionadas à manutenção de relações de poder. Se no século 20 o marxismo avançou principalmente por meio de partidos e revoluções, algumas de suas categorias adquiriram influência duradoura em universidades, movimentos políticos e instituições culturais.

O progressismo secular apresenta ainda outro projeto abrangente. Não se trata apenas de reformas políticas pontuais, mas, em muitas de suas expressões, de uma redefinição da própria compreensão da pessoa humana. A sexualidade é progressivamente desvinculada da biologia e da procriação; o gênero passa a ser entendido como autoidentificação; a família nuclear é relativizada; a proteção da vida humana no ventre e no fim da existência é relativizada ou rejeitada; e o Estado assume um papel crescente de árbitro e educador moral. Nesse ambiente, a religião tradicional tende a ser considerada aceitável enquanto permanecer na esfera privada e não desafiar publicamente a nova ordem moral. Essas transformações avançam por legislação, decisões judiciais, currículos escolares, universidades, meios de comunicação e pressão cultural.

O evangelho não pode ser reduzido a uma mensagem de salvação individual enquanto a esfera pública é abandonada às visões de mundo rivais

O evangelho não pode ser reduzido a uma mensagem de salvação individual enquanto a esfera pública é abandonada às visões de mundo rivais

Diante de projetos tão claros,........

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