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O Brasil precisa de uma nova Lava Jato (antes que o Gilmar proíba)

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22.06.2026

André Mendonça, o ministro do STF, teve um duro embate com Gilmar Mendes na segunda turma do STF ao proferir seu voto sobre a manutenção das prisões de Henrique Vorcaro e Felipe Vorcaro, pai e primo do banqueiro Daniel Vorcaro, investigados na Operação Compliance Zero. Gilmar Mendes voltou ao seu Leitmotiv sobre o Brasil: seu desprezo obsessivo por Deltan Dallagnol e Sérgio Moro, comparando qualquer alto figurão que queira soltar com os presos da Lava Jato, tadinhos.

Mendonça manteve-se firme, o que lhe rendeu encômios até de analistas que nunca conseguiram alimentar otimismo com sua atuação. Seu voto, descendo às minudências do ocorrido recentemente, pareceu até mesmo ter como alvos vários dos momentos da atuação de Gilmar na Lava Jato.

Mantendo o queixo elevado, podemos encarar a situação de Daniel Vorcaro e das inúmeras movimentações financeiras do Banco Master com políticos, estatais e setores como a previdência (cujos gastos representam 12% do PIB do Brasil) de maneira muito parecida com o período de maior esperança do Brasil, que foi o da Operação Lava Jato.

Muitos dos elementos estão quase no mesmo lugar. Políticos indo da direita, ou pseudo-direita, até a esquerda, com uma passagem demorada pelo centrão. Empresários de educação, marketing, funerárias, consultorias – todos com movimentações de dinheiro ligadas a políticos e lobistas de políticos, com muitos milhões sendo transferidos e pouco sendo apresentado como justificativa. Fundos de pensão, sempre controlados por partidos, sendo transferidos para espertalhões que enriquecem demais no processo, e quase nunca retornam aos aposentados o seu próprio dinheiro. Só os doleiros têm aparecido pouco, já que muitos foram substituídos pelas criptomoedas, quando não diretamente pelo dinheiro do crime organizado lavado na própria Faria Lima – como a Operação Carbono Oculto vem rastreando.

O cenário mais auspicioso para o Brasil seria André Mendonça começar uma espécie de Nova Lava Jato. Pega-se o primeiro malandro, que delata o segundo malandro, assim se chegando a uma súcia de alguns malandros no terceiro nível, que passam a brigar entre si para ver quem consegue delatar antes dos outros, revelando mais malandros na quarta instância do que foi presumido a priori, e tome-se strike atrás de strike da malandragem inteira.

O problema é que Gilmar Mendes tem mostrado, sem nenhuma margem interpretativa, que vai frustrar investigações contra os políticos que se lambuzaram no Banco Master da mesma forma que tratou os investigadores da Lava Jato como a verdadeira “organização criminosa” (sic) do país.

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