Resumão Master: um roteiro de Oscar
Nos últimos anos, o Banco Master cresceu exponencialmente, oferecendo CDBs com taxas muito acima do mercado, alegando que não havia risco, pois os títulos contavam com a garantia do FGC (Fundo Garantidor de Crédito). Evidentemente, a justificativa é falaciosa, uma vez que a garantia do FGC não significa ausência de risco de crédito.
Numa crise sistêmica, por exemplo, envolvendo vários bancos, o FGC não teria recursos para pagar todo mundo. Além disso, a garantia vai até R$ 250.000 por CPF e por instituição financeira, limitada a R$ 1.000.000.
Mas, num país com carência de educação financeira, o Master não tinha dificuldades para vender seus títulos aos investidores. Com a captação bilionária de recursos, o banco de Daniel Vorcaro comprava ações de segunda linha, precatórios e títulos de crédito duvidosos.
O problema é que essa estratégia gerou um descasamento brutal entre ativos e passivos. De um lado, ativos de longo prazo com qualidade duvidosa; de outro, passivos de curto vencimento, com taxas elevadas.
Como é de se esperar de um sistema financeiro sólido, o Banco Central identificou o problema e liquidou o banco. Mas, até o fechamento da instituição financeira, muitas estranhas coincidências ocorreram.
A primeira foi a tentativa de parlamentares de passar um projeto de lei que aumentava o valor do FGC de R$ 250.000 para R$ 1.000.000 de garantia para os credores, em caso de quebra de um banco. Outra coincidência foi o lançamento de um projeto de lei dando poderes a deputados e senadores para demitirem diretores e o presidente do Banco Central. Graças ao papel vigilante da imprensa, essas medidas não avançaram. Mas as estranhas coincidências continuavam em outras esferas.
No mercado financeiro,........
