Clusters em Portugal: competitividade real ou construção artificial?
Portugal tem hoje 21 clusters de competitividade reconhecidos. As iniciativas de “clusterização” empresarial têm sido impulsionadas por políticas públicas e por uma narrativa centrada na inovação, na internacionalização e no reforço da competitividade. Mas a questão que se coloca é simples: as políticas públicas estão a fomentar as dinâmicas reais da economia ou a construir estruturas artificiais com base em incentivos públicos?
A ideia de cluster não é nova. Desde Marshall a Porter, a literatura económica evidencia que a concentração geográfica de empresas e instituições favorece a partilha de conhecimento, a inovação colaborativa e estimula a competitividade, criando redes onde as empresas cooperam, mas também competem. As empresas tendem a concentrar-se porque beneficiam de um mercado de trabalho qualificado, fornecedores especializados e disseminação do conhecimento.
Casos como o Silicon Valley ou o Parque Científico de Zhongguancun mostram que os clusters de alta tecnologia se desenvolvem ao longo do tempo, através de investimento público, desenvolvimento institucional e forte iniciativa privada. São sustentados por uma elevada concentração de empresas, capital humano, universidades, centros de investigação e outros atores do ecossistema. A........
