A vida que não começa
A minha geração saiu de casa cedo. Arranjou emprego, arrendou um andar, casou, errou, recomeçou. Mas começou.
Os nossos filhos fazem tudo o que lhes pedimos e, ainda assim, não conseguem começar.
Um filho acaba o curso. Encontra trabalho. Faz contas. E continua no quarto onde cresceu, com os diplomas na parede e a vida em pausa. Não lhe falta esforço. Falta-lhe uma casa que o ordenado consiga pagar.
Não é um drama privado e é dele que falo esta semana. É um retrato nacional.
Em 2024, os jovens portugueses saíram de casa dos pais, em média, aos vinte e nove anos, quase três anos depois da média europeia. E, em 2025, os preços da habitação subiram 17,6%, o maior aumento anual de que há registo.
Antes, havia sempre um sítio mais barato ao lado. Esse sítio desapareceu. Já não é morar no centro. É morar.
Namorar em casa dos pais
Dois jovens conhecem-se, gostam um do outro, querem construir algo. Mas um vive com os pais. O outro também. Não há casa para partilhar, não há porta para fechar. O namoro arrasta-se entre quartos de adolescente e........
