Activismo climático: precisa-se!
Na silly season, nem tudo se perde ou se transforma na espuma dos dias. O mais recente episódio do podcast de Bernardo Mendonça, "A Beleza das Pequenas Coisas" (parte 1 e parte 2), através de uma frutuosa conversa com o filósofo e pensador português Viriato Soromenho Marques, um dos mais marcantes intelectuais portugueses da actualidade, veio quebrar definitivamente o mito de um agosto superficial e desfalcado de temas interessantes.
A pergunta do próprio entrevistado deixou-me presa à reflexão: como é possível termos deixado passar décadas de conhecimento e de sucessivos avisos de cientistas de mérito reconhecido sobre o aumento da temperatura média global e os impactos das alterações climáticas, adiando a adopção de políticas públicas em tempo útil?
Os anos 90 propiciaram o surgimento de um conjunto de instrumentos normativos que colocaram no epicentro do Direito Internacional, sob a égide das Nações Unidas, uma vaga de preocupação, atenção e autovinculação que tinha como horizonte a construção de um futuro melhor. As Conferências do Rio, em 1992, impulsionaram a assinatura de três grandes convenções internacionais: a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, a Convenção sobre a Diversidade Biológica e a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação nos Países Afectados pela Seca Grave e ou Desertificação, particularmente em........
