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As eleições, a politização do Supremo e o iluminismo fora de lugar

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21.04.2026

No pequeno grande ensaio antropológico “A Identidade Cultural na Pós-Modernidade” (DPA & A Editora), o sociólogo anglo-jamaicano Stuart Hall descreve a evolução do conceito de identidade a partir de três conceitos: o ser iluminista, o ser sociológico e o ser pós-moderno. Hall argumenta que a identidade humana passa por um processo de descentramento e fragmentação. O ser iluminista é o indivíduo centrado, unificado, dotado de razão, consciência e ação; acredita que um núcleo interior nasce com o indivíduo, desenvolve-se e permanece o mesmo ao longo da vida. Trata-se de uma concepção individualista, na qual a pessoa é autônoma e sua identidade é fixa e constante: "Penso, logo existo" (Cogito, ergo sum) é a célebre frase do filósofo René Descartes, publicada em 1637. Ou seja, se basta.

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O ser sociológico surge com a complexidade do mundo moderno. Não é totalmente autônomo, mas formado na relação com o outro, a partir da sociedade industrial. Já o ser pós-moderno é fragmentado, sem identidade fixa, assumindo papéis distintos conforme o contexto – uma verdadeira “celebração móvel”. É até divertido analisar o comportamento dos ministros do Supremo Tribunal Federal, cujo protagonismo político atingiu um nível inédito, a parir desses conceitos.

Embora o sistema de freios e contrapesos da democracia........

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