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A vida que não vivemos

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Retomando em parte o assunto da última semana, quero propor um experimento mental perturbador: imagine que você está prestes a morrer e, nesse momento, percebe que a vida que viveu não era legitimamente sua. Era de um personagem que você mesmo construiu e defendeu durante toda a vida e que, de tão íntimo, acabou se confundindo com sua própria identidade.

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A familiaridade desse personagem, ao longo dos anos, fez com que ele passasse despercebido e você vivesse quase que exclusivamente para satisfazer esse ideal, que Kierkegaard ajuda a compreender por meio da figura simbólica de César, fazendo referência indireta ao imperador romano Júlio César.

E se a melhor versão de si já for essa?

A vida que escolhermos viver

Por uma vida inconveniente

O filósofo entende que nosso “César” interior, construído arduamente ao longo dos anos, por meio das versões sobre nós mesmos - que organizaram cada uma de nossas escolhas- é aquele que nos faz sentir angustiados com quem somos, pois estamos........

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