Opinião | A vida não é exata. A matemática da longevidade não se mede em probabilidades
Francisco José, chamado pelos íntimos Chico, é um buldogue inglês que se encaminha à avançada idade de 15 anos. É um fato raro para a raça dele. Os cuidados extremos do seu tutor, Pedro, explicam a longevidade. Poucos humanos viveram uma dieta tão balanceada e com tanto amparo médico. Ainda assim, os ossos fraquejam e o querido Chico claudica. A perspectiva da morte era um dado matemático. Pedro se preparava para isso.
Uma simpática tia de Pedro aproximava-se dos provectos 85 anos. Dona Flora passara por problemas variados e graves e chegou a ser reanimada na UTI, recentemente. A mobilidade decaiu e surgiram dores. Um dia, temendo a morte que a matemática indicava, pediu que o amado sobrinho resolvesse as pendências da vida dela na hipótese do falecimento. Pedro concordou com uma longa lista de coisas que deveriam ser feitas após a partida, de missas até regar plantas e doar livros. Após quase duas horas de pedidos zelosamente anotados, Dona Flora sorriu e perguntou se ela poderia oferecer algum apoio caso Pedro partisse antes. Era matematicamente improvável. Pedro tinha 35 anos, era de porte atlético, gozava de exuberante saúde. Prever uns 40 anos pela frente era aposta com chance de vitória. Ambos sorriram, mas prevaleceu a noção de reciprocidade diplomática. Ele pediu que ela adotasse o Francisco, que acompanhava, meio indiferente, a........
