Por Entre Linhas e Ideias
Quando é que a memória histórica passa a ser vista como problema? É conhecida a minha paixão pelo desporto em geral e pelo futebol em particular, mas o episódio ocorrido no jogo entre o Braga e o Vitória de Guimarães exige que nos distanciemos das emoções clubísticas e até do amor exacerbado a uma cidade, para fazermos uma análise racional do que realmente está em causa. O que aconteceu não foi apenas uma decisão regulamentar sobre uma tarja, mas um gesto que nos obriga a pensar na forma como lemos e interpretamos símbolos no espaço público. Estamos, a meu ver, perante um problema eminentemente de ordem filosófica e hermenêutica, isto é, um problema de interpretação do sentido e do alcance de um símbolo, que exige reflexão e não uma leitura meramente formal das regras.
Foi neste enquadramento que a PSP decidiu retirar a tarja, alegando que a coreografia não se enquadrava no apoio direto às sociedades desportivas. A inscrição afirmava: “Antes de lhe ser dado um nome, já havia terra, antes de haver cidade, já havia povo. Das gentes antigas nasceu Bracara Augusta. Onde as armas, a........
