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Trump em Beijing: o que está realmente em jogo

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Quando o Air Force One aterra em Beijing, Donald Trump imagina que uma curta visita de dois dias à China será consagrada pelo eleitorado americano como vitória pessoal. Mas a realidade que importa é outra. Por baixo dos apertos de mão e das fotografias protocolares com Xi Jinping, desenha-se a versão contemporânea do Dilema de Tucídides: o choque entre duas superpotências — uma estabelecida, que tenta preservar a sua hegemonia (os EUA), e outra, emergente, em rápida ascensão (a China). 

Para Trump, o propósito desta cimeira não é redesenhar a arquitetura de segurança do século XXI, nem falar de paz, harmonia ou desafios globais — temas que raramente entram na sua agenda. O que procura é um espetáculo tático. Curto e vendável como uma vitória, antes das eleições intercalares de novembro. 

O presidente americano procura regressar com resultados fáceis de comunicar: sinais de desanuviamento comercial (compromissos de compras adicionais em setores relevantes para o eleitorado MAGA) e, idealmente, algum gesto que reduza o risco de disrupção no Estreito de Ormuz. A gestão da imagem é parte integrante da sua estratégia. O espaço mediático norte-americano tem-se tornado mais assimétrico: segmentos influentes amplificam narrativas partidárias, moldadas por incentivos comerciais e pela polarização à volta de Trump. 

O problema desta abordagem transacional é que expõe a verdadeira fraqueza........

© Diário de Notícias