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Leonel, o superpolícia

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23.02.2026

Conheci-o há 20 anos, talvez um pouco mais. Fomos beber um whisky ao Ladrão, restaurante perto do IPO de Lisboa, lugar onde os velhos agentes da Judiciária se encontravam para jantar ou conspirar com informadores. Quem mo apresentou foi Rogério Rodrigues, o melhor jornalista que conheci, amigo que tanta falta me faz.

Passaram muitos anos, mas é impossível esquecer aquele homem, a voz ligeiramente arrastada, as mãos de tabaco, o olhar penetrante, o modo como acentuava o que dizia, as palavras.

Leonel Marques morreu no final da semana passada, li numa breve. Fez-me pensar. Afinal, aquele fora o homem que coordenara no terreno as operações que levaram ao desmantelamento das FP-25, o que destruiu o Gang do Multibanco e que, estou convencido, sem disso ter qualquer indício ou prova, resolveu o caso do famoso Estripador de Lisboa.

Quando o conheci estava obcecado com a máfia russa e tinha um jovem agente a fazer-lhe segurança à porta.

Falámos da sua filha, do amor que lhe tinha, do medo que passou a ter, das vezes que foi obrigado a mudar de casa.

Partiu um dos melhores polícias da História democrática e soube a notícia numa breve, como se a sua vida tivesse sido banal.

Certamente que Luís Neves, novo Ministro da Administração Interna (excelente notícia!) concordará comigo nesta homenagem a um dos duros de uma PJ a que ambos dedicaram a vida - não deixa de ser irónico que a Providência tenha escolhido o mesmo dia para anunciar a ida de um e a chegada do outro.


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