A vizinhança, um pequeno país
Na iminência de trocar de morada, percebi quantos laços foram criados na freguesia em que vivi nos últimos cinco anos. A gente vai adotando costumes, fidelizando-se a serviços e, quando repara, já está inserido no jeito de ser daquela vizinhança. Mudar de casa é uma espécie de migração que nos impele a inventar hábitos, alterar documentos, desenhar outras rotas e, mais uma vez, adaptar-se ao novo.
Na última semana para o outro endereço, transitei pelas ruas no entorno de casa despedindo-me simbolicamente dos percursos ao supermercado, à farmácia, à alameda tão bucólica por onde caminhei nas primaveras e outonos. Uma espécie de agradecimento pela temporada de boas memórias construídas naquela região. Um misto de nostalgia e de frio na barriga que uma mudança sempre provoca.
Entre as tarefas finais, levei umas botas para consertar no sapateiro que também atende como chaveiro e ainda faz impressões. “Como vai a menina?”, cumprimentou-me o senhor de 70 e poucos anos quando solicitei o último serviço. Já me contou que trabalha no ofício desde muito jovem, aprendeu com o........
