Liderar a IA sem perder a humanidade
Numa reunião de administração alguém apresenta uma nova solução de Inteligência Artificial. O argumento parece difícil de contrariar: reduz custos, aumenta produtividade, antecipa falhas, automatiza tarefas repetitivas e acelera decisões.
Até que alguém coloca a pergunta que deveria estar no primeiro slide: o que acontece às pessoas?
Não apenas aos empregos. Às pessoas. À sua autonomia, à sua dignidade e à sua capacidade de compreender decisões que passam a ser recomendadas, ou mesmo tomadas, por sistemas sem consciência, sem contexto moral e sem responsabilidade.
A recente encíclica Magnifica Humanitas oferece uma imagem particularmente forte: perante a Revolução Digital, a Humanidade pode escolher entre construir uma nova Torre de Babel ou seguir o caminho de Neemias. Babel representa o poder sem limites, a uniformização e a eficiência desligada da dignidade. Neemias representa a reconstrução paciente e partilhada de uma cidade, onde cada um tem uma parte da muralha a erguer. A encíclica recorda que a tecnologia........
