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“Do Natal a janeiro salto de...”

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29.12.2025

“Até ao Natal, salto de pardal; do Natal a janeiro, salto de carneiro; e de janeiro a fevereiro, salto de outeiro.” Os ditados populares encerram, por vezes, um conhecimento de observação que antecede a ciência moderna. Este ditado resume, com a simplicidade de uma rima, o que a astronomia descreve com números e ângulos: a variação da posição do Sol no céu ao longo do ano e, em particular, o aumento da duração dos dias após o solstício de inverno.
Se olharmos o céu com o rigor de um astrónomo e a paciência de um agricultor, descobrimos que o Sol não regressa todos os dias ao mesmo ponto. Observado diariamente, à mesma hora e a partir do mesmo local, ele não aparecerá sempre na mesma posição. A forma resultante, registada ao longo de doze meses, lembra um oito deitado: uma curva dupla, simétrica. Essa curva chama-se analema solar e resulta de dois movimentos combinados: a inclinação de 23,5° do eixo da Terra e a órbita ligeiramente elíptica do planeta em torno do Sol. Quando a Terra se inclina, o Sol muda de altura no céu; quando a órbita acelera ou abranda, o Sol adianta-se ou atrasa-se em relação ao meridiano. A conjugação destes dois efeitos origina este desenho elegante e regular – um verdadeiro mapa do tempo solar.

O termo analema deriva do grego ????????, “suporte” ou “pedestal”. Surge já no Livro IX do tratado De Architectura, de Vitrúvio (século I a.C.), dedicado à astronomia, à gnomónica e aos instrumentos de medição do tempo, onde se descreve, por exemplo, a construção geométrica de relógios solares. Séculos mais tarde, no século XVIII,........

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