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“Caral, um tesouro na costa peruana”

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16.05.2026

Em 1979, sob um intenso sol, as sandálias da jovem arqueóloga peruana Ruth Shady pisavam as areias quentes de Caral pela primeira vez. Em início de carreira, estava longe de imaginar que, em 1993, aquele sítio arqueológico viria a estar a seu cargo. Depois disso, foi o anúncio de uma descoberta digna de alterar os manuais de História: do alto daquelas pirâmides, 5000 anos nos contemplavam. Situada no vale do rio Supe, 200 km a norte da capital peruana, Caral revelava-se a mais antiga civilização das Américas e contemporânea das primeiras na Mesopotâmia. Estamos habituados a conhecer a História do Peru pelo Império Inca (c. 1200-1533), plasmado em imagens e lendas da cidadela de Machu Picchu (século XV). São muitos os que identificam as famosas Linhas de Nazca (c. 400-650), com uma iconografia frequentemente repetida, que inclui o enorme colibri e um macaco de cauda enroscada; uns poucos chegam ainda a conhecer a monumentalidade de Chavín de Huántar (1500 a.C.-500 d.C.). Caral, o maior tesouro arqueológico das Américas e um dos maiores do mundo, ainda não está nos grandes roteiros turísticos, talvez pela sua descoberta relativamente recente ou, preponderantemente, por uma persistente dificuldade ocidental em admitir que o berço da civilização americana possa ser quase tão antigo quanto o mesopotâmico. Apesar disso, o título de Património da Humanidade, alcançado em 2009, já........

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