“A urgência como método”
Um fenómeno curioso que tem vindo a surgir no meio universitário, aquele que conheço melhor, mas que suponho existir também fora dele, é o do aumento de pedidos para tomar posição ultrarrápidas sobre cada vez mais assuntos. Normalmente, quem recebe tais pedidos depara-se com mensagens do tipo: “Como o assunto é urgente, solicita-se uma resposta até à hora tal do dia tantos. Caso não haja resposta dentro do prazo, considera-se que há concordância”. Na maioria dos casos, o prazo estipulado anda pelas 24 horas.
À medida que esta prática se trivializa, torna-se legítimo questionar se corresponde, de facto, a situações de real premência ou se não terá evoluído para uma estratégia institucional deliberada. Pelo menos, é uma realidade que merece reflexão crítica.
O próprio termo “urgência”, derivado do latim urgentia, remete para a ideia de pressão, aperto ou necessidade de ação imediata, associada à impossibilidade de adiamento. Ora, é precisamente essa origem que torna o uso atual problemático: aquilo que designava........
