“Não É Amor. É Abuso. E está em...”
Quando comecei a namorar com o meu atual marido, que é sueco, achei estranho ele não ter ciúmes. Em Portugal, os ciúmes são frequentemente romantizados. Chamamos-lhes paixão. Na Suécia, chamam-se “svartsjuka” que é literalmente, “doença negra”. O nome não deixa margem para dúvidas.
O meu marido dizia-me: “Se amares outra pessoa, fico triste. Mas não sou dono de ti”. Aquilo não era apenas uma diferença cultural sobre relações. Era uma diferença profunda de valores.Porque, em nome do amor, aprendemos a aceitar controlo, vigilância, violência psicológica e, demasiadas vezes, física. Aprendemos a encolher-nos, convencidas de que sermos menos faz o outro ser mais. Mas isso nunca foi amor. Foi poder.
E esta lógica, a de que alguém precisa de dominar para se sentir inteiro, não vive apenas nas relações íntimas. Repete-se nos discursos, nas instituições, na forma como se normaliza quem manda e quem obedece, quem fala e quem deve ficar em silêncio.........
