Vidas que nos escapam pelo excesso de velocidade
Flávio Cunto — Ph.D. professor do Departamento de Engenharia de Transportes Universidade Federal do Ceará
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Estamos na metade final da segunda Década de Ação pela Segurança no Trânsito, um esforço mundial liderado pela ONU e OMS cujo objetivo é reduzir em 50% as vítimas fatais e gravemente feridas no trânsito até 2030. Somos signatários e participantes ativos desse esforço, mas, infelizmente, de acordo com as informações consolidadas do DataSus em 2024, perdemos diariamente a vida de 104 pessoas no trânsito brasileiro. O número é comparável à queda diária de um avião comercial.
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As pesquisas na área de segurança de trânsito em países com sucesso na redução da mortalidade viária levam ao paradigma dos "sistemas seguros". O paradigma tem como premissas que a falha é inerente ao ser humano e que, temos uma capacidade finita (e não tão grande assim!) de absorver a energia, ou seja, a velocidade de uma massa metálica média, em sinistros de trânsito. De forma objetiva, admite-se que nem todos os sinistros podem ser evitados, mas assume-se como essencial que, quando a falha ocorrer, que seja em uma velocidade (energia) que o corpo humano consiga suportar.
Assim, os sistemas seguros definem como um de........
