Por que mulheres negras continuam morrendo ao gestar?
Marjorie Chaves — pesquisadora do Núcleo de Estudos de Saúde Pública (Nesp/FS-UnB)
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Antes de se tornar estatística, Tairine Alves era uma mulher negra de 30 anos que aguardava a chegada do primeiro filho. Em abril de 2024, após passar mal durante a gestação, percorreu diferentes unidades de saúde do Distrito Federal em busca de atendimento. Morreu poucas horas depois no Hospital Regional de Taguatinga. Sua história está longe de ser um caso isolado. Ela evidencia uma realidade persistente: mulheres negras continuam mais expostas a mortes evitáveis relacionadas à gravidez, ao parto e ao puerpério.
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Nomear Tairine importa. As vítimas da mortalidade materna não podem ser reduzidas a dados epidemiológicos. São mulheres com trajetórias, vínculos e projetos interrompidos. Cada óbito revela uma falha coletiva na garantia do direito à saúde. E os dados mostram que essa falha incide de forma racializada. Mulheres negras concentram a maior parte das mortes maternas registradas no Brasil e apresentam risco superior ao observado entre mulheres brancas.
Uma revisão sistemática publicada neste ano na revista........
