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Ecologia da desinformação: um determinante social que fragiliza o cuidado à saúde

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Valéria Mendonça, Natália Fernandes e Fátima Sousa — professoras da Universidade de Brasília (UnB), coordenam Laboratório de Educação, Informação e Comunicação em Saúde da UnB (ECoS)

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O ecossistema global de saúde enfrenta desafios que transcendem as fronteiras biológicas — entre eles, a crise de confiança informacional. O que antes era uma infodemia, consolidou-se como um fenômeno estrutural e transnacional. Dados do Relatório Edelman Trust Barometer revelam que a confiança na mídia para relatar informações precisas sobre saúde caiu drasticamente, de 57% em 2019 para 46% em 2026. No Brasil, embora haja sinais de recuperação institucional, o cenário segue fraturado, com dois em cada três brasileiros sentindo que a nação está dividida frente à saúde.

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A desinformação não se limita a boatos, mas em alegações controversas que ganham tração em larga escala, e dependendo do ecossistema é que o clima favorece a fertilidade do solo germinar. Segundo o Edelman, 70% das pessoas globalmente acreditam em ao menos uma de seis grandes fake news sobre saúde, mitos sobre vacinas infantis e teorias conspiratórias sobre controle populacional. Em um ano, esse mar de incertezas gerou queda de 10 pontos percentuais na confiança das pessoas em tomar decisões informadas sobre saúde.

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