A anestesia do "são todos iguais"
Christian Hunt — empreendedor e investidor belga, radicado no Brasil desde 2004
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Em 96 horas: na terça-feira, o relator do caso da maior fraude bancária do país derrubou o sigilo de um relatório policial sobre a relação entre um colega e o banqueiro investigado. Na quarta, viu exposto um encontro antigo com o banqueiro e o confirmou. Na quinta, foi apontado como suspeito de crimes num inquérito relatado pelo ministro que expôs. Na sexta, o presidente da Corte tirou a acusação dali e abriu prazos.
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É tentador concluir que são todos iguais. A frase poupa quem não quer analisar, serve a quem não quer incômodo e consola quem já desistiu. Age em duas doses. No indiferente, indistinção: quem tem mais a esconder recebe a nota de quem tem menos. No engajado, o inverso amplificado: se o relator tinha um encontro a explicar, terá outros. É a anestesia que a impunidade administra a si mesma. Mas há o que nenhuma narrativa dissolve. As respostas do ministro, em mensagens que se apagam, são ilegíveis; registrado no relatório está quem pediu, o quê e a quem, e nada disso deixa de existir........
