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A tatuagem

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15.08.2026

Uma das lembranças mais persistentes da minha infância é também uma das primeiras experiências que me fizeram perceber que não vemos o mundo exatamente como ele se apresenta. Vemos aquilo que aprendemos a significar.

Minha mãe não era minha genitora e também não foi quem me criou. Fui criada por minha avó paterna. Ainda assim, ela fazia parte daquele universo de adultos que, para uma criança, parecia possuir respostas para quase tudo.

Ela tinha o hábito de classificar as pessoas. Dizia que fulano era isso, que sicrano era aquilo. Algumas pessoas eram boas, outras eram ruins. Algumas eram putas, outras eram vagabundas. Havia ainda aquelas que, segundo ela, simplesmente não prestavam.

Lembro-me particularmente de uma vizinha. Era uma menina muito jovem e trabalhadora sexual – pense nisso nos anos 1980/90. Minha mãe dizia que ela era puta.

Aquilo me despertava uma curiosidade que hoje reconheço como uma pergunta epistemológica, embora, evidentemente, eu não tivesse qualquer condição de nomeá-la assim. Eu queria saber como ela sabia sobre algo tão particular dessas pessoas.

Como era possível olhar para alguém e saber que aquela pessoa não prestava?

Qual era o sinal que permitia transformar um corpo em uma........

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