A máquina de reflexão
Deixei a minha mosca crescer por acidente. Como quase todas as decisões importantes da minha vida, ela surgiu da preguiça. Um fim de semana sem lâminas de barbear, um espelho complacente e pronto: ali estava aquele pequeno tufo abaixo do lábio, insinuando profundidade intelectual.
Passei a apelidá-la primeiro de Dizzy (por causa da famosa “soul patch” de Dizzy Gillespie). Depois, chamei-a de “máquina de reflexão”.
Não por vaidade. Por método científico.
Descobri que, sempre que preciso pensar, fico puxando a mosca. É automático. A mão sobe sozinha. Fico ali, segurando o pequeno tufo com a gravidade de quem gira um globo terrestre. E funciona. Tanto quanto fumar um cigarro enquanto se digita um texto. Com a vantagem de que não prejudica os pulmões.
Minha mosca tem........
