O poder dos impostos
Há países onde pagar impostos é quase um ato de cidadania consciente. E depois há outros onde é, tantas vezes, um exercício de resistência.
Em 2000, a Dinamarca foi a votos para decidir se queria aderir ao euro. A resposta foi “não”, com cerca de 53% dos eleitores a recusarem a mudança. Não foi um gesto de rejeição da Europa, mas antes um sinal de prudência — uma escolha ancorada na preservação de um modelo económico e social em que o Estado continua a desempenhar um papel central. Nos países nórdicos, pagar impostos não é propriamente um prazer, mas é amplamente aceite como parte de um contrato social que funciona.
Mais a sul, a história é outra — ou, pelo menos, a narrativa tem sido essa. Durante a Crise das Dívidas Soberanas Europeias, países como Portugal, Grécia e Espanha foram frequentemente retratados como alunos indisciplinados de uma Europa rigorosa. Os chamados “PIGS”, diziam........
