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Capacidade não tem gênero

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23.02.2026

Capacidade não tem gênero

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A presença de uma mulher em vários locais ainda causa estranhamento para alguns, porque rompe uma narrativa antiga: a de que certos espaços têm dono.

Capacidade não tem gênero. Respeito não vem do sexo biológico, vem da competência. Não tem voz mais grave ou mais aguda. Tem critério. O futebol não é genética. É regra. É preparo. É leitura de jogo. É coragem para decidir sob 40 mil olhares pressionando. E isso não está no cromossomo X ou Y. Está no estudo, no treino, na experiência. Daine arbitra da FPF, da CBF e da FIFA.

O triste é que a declaração de Gustavo legitima um pensamento que muitos carregam silenciosamente. Porque transforma uma análise que deveria ser profissional em um julgamento identitário. No fim, a grande decisão não é sobre um pênalti ou uma falta. É sobre que tipo de cultura queremos sustentar no esporte: uma que analisa desempenho ou uma que rotula pessoas.

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É curioso como, diante de um árbitro homem, a crítica costuma ser objetiva: "errou no lance", "estava mal posicionado", "foi incoerente no critério". Mas quando é uma mulher, surge a generalização: "não tem pulso", "não aguenta pressão", "não é jogo para ela".

Percebe a diferença? Sai o técnico. Entra o estereótipo, o biológico.

Estranho como ninguém associa impedimento mal marcado à testosterona. A atitude de Gustavo talvez não tenha sido, na intenção, um ataque direto. Mas no efeito, reforça uma narrativa antiga: a de que mulheres precisam provar constantemente que pertencem a certos lugares, enquanto homens pertencem até que se prove o contrário.

O erro masculino é humano; o feminino vira prova de incapacidade. Prova de que "não era para estar ali". Prova de que o campo ainda é visto como território exclusivo.

É mais fácil culpar o gênero do que admitir que todos, absolutamente todos, estão sujeitos ao erro. E que no jogo de sabado existe um falta de competência do próprio time que perdeu na bola. No fundo, o que incomoda não é o apito. É quem o segura.

Se Daiane acertou, deve ser reconhecida. Se errou, deve ser analisada tecnicamente. Fica claro, que o lance mais polêmico não foi dentro das quatro linhas, foi fora delas. Porque toda vez que reduzimos alguém ao próprio gênero, mostramos que ainda estamos jogando um campeonato atrasado.

E, convenhamos, esse sim já passou da hora de terminar.

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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