Barbosa, Roger e o assédio coletivo
Barbosa, Roger e o assédio coletivo
POR RODRIGO R. MONTEIRO DE CASTRO
Barbosa era um dos melhores goleiros em atividade. Foi titular na Copa de 1950, a primeira organizada no país. A seleção brasileira qualificou-se para o quadrangular final e enfrentou, na última rodada, a seleção uruguaia. A partida ocorreu no Maracanã, à época o maior estádio do planeta.
Projetava-se público exuberante. Os registros destoam. De todo modo, entre 170 mil e 200 mil pessoas estiveram presentes. Talvez a maior aglomeração da história do futebol mundial.
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Não se concebia o fracasso. Bastava um empate para que o Brasil conquistasse o primeiro título mundial. Festas aconteceram na véspera. Imprensa saudava os campeões. Os jogadores eram tratados como quase heróis. A coletividade subestimou a força uruguaia.
O resultado, todos sabem: após estar na frente, com gol de Friaça, no início do segundo tempo, a seleção brasileira cedeu o empate aos 21´ e, logo depois, sofreu a virada, aos 34´, diante de uma torcida incrédula.
A derrota ainda representa uma das maiores cicatrizes sociais de um país que luta contra a sua origem e se esforça (ou não) para compreender sua representação multirracial no cenário global.
A derrota não podia ser assumida como um fracasso coletivo. Ou nacional. Alguém devia ser culpabilizado. O peso recaiu........
