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Nunca desconfiámos tanto deles

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11.06.2026

Se perguntarmos a alguém se acredita em astrologia, fantasmas, comunicação com os mortos ou poderes paranormais, muitos assumirão que estas crenças pertencem sobretudo ao passado ou a pequenos grupos marginais da sociedade. No entanto, a realidade é bem diferente. Uma sondagem da Gallup publicada em 2025 revelou que quase metade dos norte-americanos acredita em cura espiritual ou psíquica, 39% acreditam em fantasmas e cerca de um quarto acredita em astrologia, reencarnação ou clarividência. Um outro estudo recente realizado nos Países Baixos, uma das sociedades mais secularizadas da Europa, concluiu que mais de metade dos participantes acreditava, com algum grau de certeza, em pelo menos um fenómeno paranormal.

Estes resultados não significam que a ciência tenha falhado. Nem que vivamos numa sociedade irracional. Significam apenas que os seres humanos nunca tomaram decisões exclusivamente com base na evidência. As nossas crenças são moldadas por experiências pessoais, emoções, valores, identidade social e confiança nas instituições. A ciência influencia as nossas decisões, mas raramente é o único fator que as determina.

Talvez seja precisamente por isso que o crescimento da desconfiança em relação aos medicamentos e, em particular, às vacinas e, mais recentemente, a outras tecnologias de saúde, não deva ser encarado como uma anomalia. Pelo contrário, poderá ser apenas mais uma manifestação de um fenómeno muito mais amplo: a dificuldade crescente das sociedades modernas em lidar com a incerteza e com o risco.

Durante grande parte da história da humanidade, os riscos associados à doença eram evidentes. As famílias conviviam regularmente com a mortalidade infantil, com epidemias, com doenças infeciosas incapacitantes e com uma esperança média de vida que hoje........

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