As sociedades modernas e os cérebros do Paleolítico
Há uma ideia profundamente otimista que domina grande parte do pensamento político moderno: a de que os seres humanos se adaptam rapidamente às mudanças sociais que eles próprios criam.
Porém, a evidência da psicologia evolucionista, da antropologia e mesmo da ciência política sugere algo muito diferente. As sociedades humanas mudaram a uma velocidade extraordinária. A natureza humana, muito menos.
Este talvez seja um dos factos mais importantes, e simultaneamente mais ignorados, para compreender as tensões políticas e sociais do século XXI.
Durante mais de 95% da existência do Homo sapiens, os seres humanos viveram em pequenos grupos tribais relativamente homogéneos, normalmente compostos por algumas dezenas ou poucas centenas de indivíduos. A sobrevivência dependia de relações face a face, reputação direta, alianças pessoais, cooperação limitada ao grupo e elevada vigilância social. Foi nesse contexto que evoluíram os mecanismos psicológicos que ainda hoje moldam o comportamento humano.
A nossa mente não foi desenhada para democracias liberais de massas, redes sociais globais, burocracias estatais gigantescas, mercados financeiros abstratos ou organizações multinacionais. Foi moldada para tribos!
A política moderna raramente integra esta realidade de forma séria.
Grande parte das teorias políticas tradicionais continua a partir implicitamente da ideia de que os seres humanos são agentes essencialmente racionais, facilmente moldáveis pelas instituições, pela educação ou........
